A Vieira é um amuleto em forma de concha gigante, comum nos mares da costa espanhola, e com o tempo tornou-se o símbolo máximo da peregrinação. É muito utilizada por quem faz o caminho...
Diz a Lenda que os discípulos de Tiago, Teodoro e Atanásio, roubam o corpo do apóstolo Tiago e, numa barca sem leme nem velas, guiados por um anjo, regressaram à Hispânia (Península Ibérica), chegando até à Ria de Arosa, na atual Galícia.
Em determinado trecho seguia por terra um cavaleiro. Repentinamente o animal disparou em direção ao mar. O peregrino então evocou Santiago, e uma forte onda devolveu-o a terra firme. Retomada a consciência, o peregrino percebeu que seu manto estava repleto de conchas. Nadou então até ao barco e questionou os discípulos sobre o acontecido. À sua pergunta, os discípulos responderam que traziam o corpo de Santiago e que a salvação tinha sido um milagre.
Depois disso, o cavaleiro pegou numa vieira e utilizou-o como símbolo próprio para si e para a sua família. Assim, a Vieira assumiu um significado de proteção, que também está associada ao Graal. Simboliza, para o viajante, absorver a sabedoria e a entidade de Cristo.
Segundo o Codex Calixtinus, da mesma forma que os peregrinos que vêm de Jerusalém trazem palmas, os que regressam do santuário de Santiago trazem as Vieiras. Pois bem, a palma significa o triunfo, a concha, as obras boas. (...) Pois existem uns mariscos no mar próximo a Santiago aos que o vulgo chama Vieiras, que têm duas couraças, uma de cada lado, entre as quais se oculta um molusco parecido com uma ostra. Tais conchas tem em si um desenho, como que os dedos de uma mão, e os provinciais as chamam Nidulas e os franceses Crusillas.
Ao regressar os peregrinos do santuário de Santiago as prendem nas capas, para glória do Apóstolo e, em lembrança dele e como sinal de tão longa viagem, as trazem para sua morada com grande regozijo. O tipo de couraça com que o molusco se defende, significam os dois preceitos da caridade, com os quais quem devidamente os leva deve defender-se, ou seja, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
As conchas significam então as obras boas, nas quais o que dignamente as leva deve perseverar. Seus desenhos que lembram dedos da mão belamente simbolizam as boas obras: das mãos nos valemos quando fazemos algo.
Portanto o peregrino as carrega como símbolo de proteção e também da busca de Deus, a partir da purificação alcançada com as boas obras.

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